Old school vs New school RPG

No princípio do RPG lá pelo D&D 1a ed não existiam skills. Os pjs contavam apenas com seus atributos para resolver todas as situaçoes possíveis. Você queria escalar? Teste de força. Equilibrar numa corda? Teste de destreza. E por aí vai. Passou o tempo e começaram a surgir sistemas com skills para resolver diversas situaçoes. No meu ver este foi o marco na mudança da old school para a new school. Explicando: como antigamente nao havia skills para resolver nada os desafios na aventura de RPG eram em grande parte direcionados aos Jogadores e não aos personagens. Principalmente os puzzles. Quando o mestre colocava por exemplo uma estátua sinistra em um templo, os jogadores nao podiam contar com skills e jogadas de dados para resolver o enigma e nem haviam magias mirabolantes. Os jogadores tinham que suar, procurar inscriçoes, marcas no chão que pudessem mostrar que a estátua havia sido movida. Bater nela para ver se era maciça ou oca, e assim por diante. Nesse esquema das coisas se o jogador fosse meio burro, o personagem dele também seria, mas ocorria que de tanto jogar e enfrentar essas situações, o próprio jogador ia ganhando experiência no negócio e acabava ficando bom em resolver os enigmas e o mestre por sua vez tinha que se desdobrar para inventar coisas novas que surpreendesses e desafiassem os jogadores.
Pois bem. Com a chegada das skills e a proliferação das magias, o jogador começou a ficar preguiçoso já que ele podia resolver as coisas em uma jogada de dados. O D&D não foi o primeiro RPG a incorporar um sistema completo de skills, muito antes o shadowrun e o call of cthulhu, por exemplo, já tinham seguido por esse caminho. Porém eu credito ao D&D o auge do new school.
O jogo foi ficando cada vez mais planificado. Vamos entrar de sala em sala e fazer uma jogada de search para encontrar tudo. Vamos usar magias de detecção, etc. Depois de um tempo observando esse fenômeno percebi que os jogadores estavam cada vez mais acomodados e incapazes de resolver enigmas da primeira série do mobral! Pior. Esse novo estilo de jogo começou a gerar discussões do tipo "tá bom, eu não consigo resolver isso, mas meu personagem tem inteligência 20 sendo um gênio ele resolve isso fácil". Ou então mudando da esfera dos enigmas para a interpretação, "eu não li o livro e não sei me comportar nesta situação, mas meu personagem é nativo desse país, certamente ele conhece as regras de etiqueta a serem usadas nesta situação". E piorando, após propor uma situação corriqueira dos pjs encontrarem um quarto com as janelas abertas e nevando lá fora, porém perceberem que o quarto estava quente e não gelado como seria de se esperar (a solução deste profundo e aterrador enigma de física quântica era que a janela tinha acabado de ser aberta e não houve tempo do quarto esfriar), o jogador pediu uma jogada de conhecimentos em engenharia para descobrir como isso era possível.
Neste passo já topei com jogadores dizendo que a aventura não era condizente com as estatísticas da sua ficha, como a aventura era difícil os jogadores deveriam ter mais pontos para distribuir!
Bom esses são alguns dos exemplos que eu observei após uma década de new school na cabeça dos jogadores. Jogadores esses que muitos anos atrás quando eram crianças conseguiam resolver os enigmas que hoje como adultos, profissionais formados já não conseguem mais. Tem quem goste de n school, tem quem não goste, eu particularmente gosto de sistemas mais old school, mais dark, mais perigosos. Outra coisa que a new school conseguiu foi tornar o RPG mais videogame, quase como dar um save para o pj não morrer. Hoje quando um pj morre é uma choradeira.
Por sorte tenho conhecido sistemas dos quais pretendo falar futuramente onde os pjs são humanos, não importa o nível. Onde uma espadada no coração, uma dose de veneno, mesmo uma criança com um revolver na mão, matam mesmo. Amassa-se a ficha e faz outra do zero. Pra você isso é pavoroso demais? Então não entre em toda briga, não ande sozinho à noite pelas vielas da cidade, não seja enganado, desconfie de todos, tenha os olhos nas costas. Talvez você amanheça vivo mais um dia...

Comentários

  1. Quanto às skills e o sistema eu acho que você tem muito a contribuir. Quanto aos jogadores e suas posturas, não. Isso em muito porque você (quase?) nunca jogou como jogador. Coisas que são auto evidentes para o narrador não são para os jogadores e isso não tem pouco ou nada a ver com as skills. A expectativa que o narrador tem é bem diferente do que ele consegue colocar em prática. Isso é análogo a quando você quer explicar algo e não consegue. Nessa situação é confortável classificar o ouvinte como burro.

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  2. Correção.. "tem pouco ou nada a ver", ignore o não imediatamente antes desse trecho.

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