Principais defeitos do D&D

Para primeiro post quero mostrar as coisas que me desagradam no D&D, mas antes quero deixar claro que não joguei a 4a ed. Vamos à lista:

1- Formato obsoleto: praticamente nenhum RPG hoje adota o formato de 3 livros básicos, concentrando todo o material do livro do mestre, jogador e monstros além de um cenário em um core book. O D&D continua a insistir neste formato caça níqueis além de lançar uma tonelada de suplementos por mês, a maioria fúteis ou de pouca ajuda.

2- Regras independentes de um cenário: por um lado isso até é bom, pois deixa maior liberdade para o mestre criar o que ele quiser, mantendo uma espécie de sistema genérico de fantasia, mas mais uma vez,  se você quiser um cenário oficial você vai ter que comprar mais um livro. Além disso os cenários que têm regras casadas têm aspectos muito interessantes que você não consegue simular com as regras mais genéricas do D&D. Em outros posts vou mostrar alguns sistemas de regras bem integrados à cenários.

3- Muita fantasia: fantasia medieval é uma coisa, mas o D&D se tornou exagerado, se você já jogou até atingir um nível alto (perto do 15º) sabe do que eu estou falando. é gente voando, despejando bolas de fogo, teleportanto, centenas de raças fantásticas andando pelas cidades, chegando ao ponto do absurdo. Por exemplo, você começa a imaginar coisas como: se luz é uma magia do 1º nível e é tão barato e fácil fazer, cidades inteiras devem ter luz mágica em suas casa e por aí vai Quando você lê um romance do cenário você percebe que a trama não é possível pelas regras. Os aventureiros passam apertado em uma viagem? porquê eles não teleportaram?


4- Sistema monetário ridículo: O tanto de ouro que os PJs ganham não é possível para um planeta suportar se você levar em conta que devem existir muitos e muitos aventureiros ganhando a mesma coisa. Você tem no livro do mestre itens que custam milhares e milhares de moedas de ouro e os PJs encontram ele a rodo. Aliás o tanto de ouro que as criaturas carregam deveria fazer com que os commoners se reunissem e saíssem para matar goblins em vez de trabalhar. Ou os PJs poderíam se aposentar se sustentando pela vida toda depois de um ano de aventuras!

5- Alinhamento: quer coisa mais ridícula? então você consegue classificar todo ser vivo do mundo em leal, caótico, bom e mal? Isso é tão mal feito que muitos grupos simplesmente aboliram os alinhamentos desde a 1a ed. Ocorre que com magias que afetam alinhamentos você é obrigado a usá-los.

6- Magia: a magia no D&D tem dois defeitos a meu ver. Primeiro ela é desprovida de riscos. ela não falha, não tem chance de dar merda, é só decorar e usar. Segundo em altos níveis ela resolve 100% dos problemas do grupo. Vamos viajar? teleporta. Tem um baita enigma para abrir uma porta? desintegra ela. Precisa achar um objeto sagrado? Find the path, discern location, contact other plane e por aí vai.

7- Sistema de níveis: hoje poucos RPGs usam sistemas de níveis por um bom motivo. Os personagens ficam discrepantes em níveis diferentes. Quais as chances que um PJ de nível 1 tem de matar um PJ de nível 5? Mas eles são humanos (ou elfos sei lá) ainda não? Estamos jogando supers? Esse sistema de níveis é tão absurdo que é frustrante. Os pjs de nível 18 chegaram em uma cidadezinha de 1000 habitantes. Pelo livro do mestre tem um tanto de NPCs de níveis mais baixos morando lá. Mas se o grupo resolver detonar a cidade eles matam todo mundo com um braço amarrado nas costas. E se eles costumavam se aventurar em uma floresta próxima à cidade natal quando eles tinham nível 1, certamente a floresta era habitada por criaturas de nível baixo como goblins, orcs, etc. Mas agora no nível 15 eles retornam à mesma floresta para resolver uma missão. O mestre mantém a coerência e coloca um monte de bichos fracos como a floresta sempre foi ou subitamente a floresta se povoou de monstros mega powers só porque os pjs resolveram visita-la? Essa discrepância faz com que o cenário inteiro tenha que ir ficando mais perigoso conforme os PJs sobem de nível e logicamente isso não faz nenhum sentido.

8- Combates extremamente demorados: vamos concordar que chegando uns níveis na frente um simples combate pode demorar uma tarde inteira e pode ainda dar em nada já que, depois de se curar N vezes os pjs ainda podem teleportar embora se forem perder.

9- PJs imortais: depois de certos níveis o risco real para os PJs é mínimo, já que eles podem se curar milhares de vezes, regenerar partes perdidas, curar doenças e maldições e ainda ressuscitar. Próximo do nível 20 os PJs se tornam verdadeiros semi deuses.

10- Opções inúteis: os livros básicos do 3.0 e 3.5 têm 11 classes de PJ, mas algumas são tão fracas perto de outras que nem compensa jogar com elas. O bardo, o druida e o monge são alguns exemplos de classes inúteis perto do guerreiro, mago e clérico por exemplo a ponto de ficarem de coadjuvante na história. E as armas então? elas não têm nenhuma vantagem ou desvantagem além do dano que causam. Quem vai querer lutar com uma adaga se uma great sword causa 2d6 de dano?

Esses são alguns exemplos das coisas que me desagradam no D&D. Claro que há pessoas que podem não se importar com essas coisas, mas depois de conhecer algumas alternativas pode ser que algumas delas mudem de opinião. Nos próximos posts quero mostrar outros RPGs que possuem alternativas à estes problemas. Vou falar apenas do que eu mestro para ter um conhecimento de causa. Alguns deles são: Call of Cthulhu, Warhammer Fantasy, Death Watch, Dark Heresy, The One Ring, Yggdrasill, Shadowrun, Witch Hunter, Shadows of Esteren, Alternity, Legend of the Five Rings, Delta Green, entre outros. Abs a todos.

Comentários

  1. Em 2016.... eu sei faz muito tempo.... mas estou lendo toda "vida" do seu blog e quis responder pelo menos esse que foi o primeiro post:

    1- Concordo que até hoje (já na 5ed) o D&D ainda é um "caça níquel" com essa história de 3 livros básicos. Já os suplementos, se são ruins basta não comprá-los, e isso foi a derrocada do 3.5ed no final das contas.

    2- Gosto de regras genéricas, de criar meus próprios mundos/cenários e de que hajam livros para cenários específicos. Não acho isso um problema, seria um problema se a WotC fizesse justamente o contrário, lançasse um sistema "quase igual" para cada cenário e cobrasse pelo livro sistema+cenário, como muitos livros que usam a OGL D20 fazem (Tormenta RPG, Não sei o que RPG, etc....)

    3- Como mestre e como jogador eu realmente espero que aproximando-se do nvl 20 os personagens realmente se aproximem de Deuses e até de entidades criadoras e destruidoras de mundos. Essa era a proposta do D&D na época e gosto dela, se a narração for bem preparada ela suporta esse tipo de personagem.

    4- Sou totalmente a favor de um personagem se aposentar depois de 1 ano de aventura, visto que nas minhas mesas eles não duram mais do que umas semanas se arriscando. A vida de aventureiro é obviamente exageradamente lucrativa, porém exageradamente perigosa, e meus goblins não dão tanto dinheiro para um grupo de fazendeiros/cidadãos correrem o risco (isso de acordo com as regras 3.5).

    5- Apesar de também não ser o maior fã dos alinhamentos eu entendo eles (de acordo com o livro) uma tendência que o personagem tem de acordo com background do personagem. Não é uma obrigação ele seguir 100% do tempo seu alinhamento podendo inclusive mudar seu alinhamento no decorrer da campanha.

    6- A magia torna, a partir de um certo nível, os conjuradores desbalanceados. Mesmo assim não discordo dela ser versátil e em níveis altos conseguir substituir várias funções. Nos meus cenários de campanha ela não é tão comum, assim como aventureiros não são tão comuns.

    7- O problema de "voltar ao um local de baixo nível" é mais um dos "defeitos da campanha" e não necessariamente do sistema de níveis.... e nas minhas campanhas personagens de nível alto realmente detonariam uma cidade sem problemas, lógico que isso traria consequências! E a floresta de goblins continuaria sendo a floresta de goblins e possivelmente nenhum grande vilão esconderia algo valioso ali por motivos óbvios.

    8- Se estamos falando de 3.5ed, realmente os combates demoram, mas nas minhas mesas ao contrário do que você disse eles tendem a ficar cada vez mais rápidos a partir do nvl10 visto que o dano escalona muito mais rapidamente que os PVs de monstros e personagens!

    9- Isso é um problema de mestre inexperiente.... é muito fácil matar um grupo de personagens usando inimigos de mesmo nível que eles... inimigos inteligentes, com planos, conhecimento e sem escrúpulos conseguem derrotar facilmente um grupo de personagens de nível alto!

    10- Se estamos falando de 3.5ed , aqui você ERROU 99% do que disse!! Druida uma classe Tier 1 (mais forte) de acordo com 100% das pessoas que sabem otimizar personagens juntamente com o Mago, todos dois quase nem precisam de livros auxiliares para tal! Bardo também está entre as classes mais fortes, enquanto Guerreiro só brilha nos primeiros níveis depois fica quase inútil e sem o suplemento Book of Nine Swords e as alterações de classe básica (Dungeon Crasher) e um monte de itens mágicos e talentos de suplementos ele fica menos que inútil.... Só acertou no monge, que mesmo com todos suplementos ainda continuou como uma das classes mais inúteis da 3.5ed.


    O D&D como "sistema genérico de fantasia" realmente depende mais de um bom Narrador/cenário senão acaba gerando vários problemas, que são a maioria dos que citou acima. Sistemas atrelados a cenários evitam já solucionam um pouco disso, mas na teoria saem mais caro para emular muitos subtipos de narrativas.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Sistemas de RPG parte 1: Dados

Shadowrun 5ª edição em português

Symbaorum review parte 1