RPGs de Zumbi parte 3 (final)

Chegamos à última parte dos RPGs de zumbis que eu conheci por aí. Vamos lá:

5- OUTBREAK: UNDEAD


O:U é um livro massivo, com 450 páginas em capa dura e interior branco e preto, editado pela Hunter Books e escrito por Cristopher dela Rosa, lançado em 2010. Todo o livro é escrito como se fosse o diário de um sobrevivente após o apocalipse zumbi, cheio de papeis colados com anotações, fotos de polaróide, etc. O efeito geral é muito legal, mas houve muita reclamação no lançamento devido à fonte usada que imita escrita à mão e à formatação que segue o formato de diário sem diferenciação de sessões dentro dos capítulos tornando quase impossível encontrar alguma coisa específica, sempre necessária em um livro de RPG. No site ocicial tem muito material grátis o que é muito importante.

Uma coisa bem legal é que além de criar personagens sobreviventes, você pode criar um PJ baseado em você usando um questionário de 40 perguntas no site oficial. O sistema é baseado em procentagem e o PJ tem 4 atributos principais que são somados à bônus concedidos pelos equipamentos. O mestre pode dar bônus e penalidades em incrementos de 5%. Para resolver testes opostos as duas partes rolam o d100 e somam seus atributos. Bem simples e funcional.


Existe uma regra para ferimento e pânico interessante. Se você tem uma das duas condições, em todo teste você adiciona 1d10 de penalidade nas unidades, porém se você está ferido e em pânico ao mesmo tempo, vc a penalidade vai para a dezena! (1d10 x 10 de penalidade).

Existem muitos tipos de zumbis como cães zumbis, crianças, banshees e titans. O ponto mais característico deste jogo é que ele é uma espécie de simulador de combate com zumbis. Por exemplo durante um combate os jogadores declaram suas ações primeiro e de pois todos resolvem simultaneamente e você não pode mais mudar a ação declarada, mesmo que as condições mudem e sua ação ferre tudo. O jogo é totalmente voltado para o realismo. As estatísticas dos PJs são fracas, os HPs são curtos, fáceis de perder e difícil de recuperar e o PJ pode morrer simplesmente por causa de comida estragada. É realmente um jogo de sobrevivência onde, ao contrário de outros RPGs onde você fica preocupado em que vai gastar o seu XP, a preocupação se volta em não ser o primeiro a morrer.

Mas o jogo é difícil ou fácil dependendo do mestre certo? Mais ou menos. Um dos aspectos de simulação do jogo é o subsistema de geração de encontros que usa tabelas que são roladas em certas circunstâncias como se os PJs procurarem comida, se moverem por certo tempo, descansarem, procurarem refúgio, etc. Estes encontros determinam o ritmo do jogo que é beeeeem brutal. As tabelas povoam automaticamente o mundo para seus PJs se divertirem e a menos que o mestre roube pelos PJs (tá com medinho é?) eles rapidamente estarão todos estrupiados, alguns podem ter virado zumbis e os jogadores vão começar a ficar espertos em sobrevivência em pouco tempo ou estarão todos fazendo fichas novas antes do meio da sessão.

No geral é isso. O jogo é cruel, mas tem muitas coisas legais. Todo tiro tem chance de matar o zumbi na hora (headshots) assim como todo ataque sofrido pode resultar em uma mordida que vai aumentar o nível de infecção do PJ até ele virar um zumbi também. A estrutura de simulação dá um ar de desafio, pois todos os jogadores do mundo estão submetidos às mesmas condições e se alguns sobrevivem porque você não pode conseguir?

6- DYSTOPIA RISING


Mais um jogo cruel de zumbis. Dystopia se passa mais no futuro, umas 2 gerações depois do apocalipse zumbi. Lançado em novembro de 2011 pela Eschaton média e escrito por Michael Pucci, o livro tem 230 páginas com interior branco e preto e é bem acessível: U$ 25,00 na Amazon.

A história foca nos sobreviventes após o apocalipse, tendo como diferencial diversos cultos e novas religiões surgidos ao longo destas gerações de sobreviventes isolados. O cenário é meio que uma mistura do Livro de Eli e Mad Max. Os zumbis aqui não são o foco principal, mas o conflito entre os sobreviventes.

Existe a necessidade de uma clarificação aqui. Esta versão é a versão tabletop para ser jogada na mesa e é baseada em uma versão mais antiga de live action. Não tenho muito conhecimento das regras ainda, por isso não posso dizer muita coisa, mas aparentemente é algo bem acessível, mesmo para iniciantes.

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