The One Ring review 5a parte


SUBSISTEMA 3: ENCONTROS

TOR usa outro subsistema interessante para medir os encontros que os PJs têm com PDMs importantes. Primeiro o mestre determina o grau de tolerância para o encontro que é baseado ou no valour ou na wisdom do PJ e é modificado por outros fatores como a posição social, preconceitos que uma cultura pode ter em relação à outra, etc. Na prática o valor da tolerância é o número de testes que os jogadores podem falhar antes que o encontro acabe.

Ele é dividido em 2 partes. A apresentação que pode ser feita com diversas skills e depois a interação que também usa skills variadas. O mestre determina as dificuldades dos testes em segredo e os jogadores devem tentar interagir da melhor maneira possível. Por exemplo se eles forem conversar com um sábio, que valoriza a sabedoria, um teste de awe para impressiona-lo terá uma dificuldade maior que um de lore ou ridle para apresentar seus conhecimentos.


Durante a interação para ter direito a um teste o jogador deve criar um motivo para faze-lo. por exemplo ele pode citar lendas sobre os acontecimentos recentes na região para ganhar um teste de lore. A cada nível de sucesso o grupo ganha 1 ponto e no final do encontro o mestre vai julgar o resultado baseado na quantidade de pontos que eles conseguiram. Por exemplo, os PJs vão pedir ajuda ao lider da guilda dos arqueiros. O GM pode criar uma tabela assim:

1-2 pontos: ele se recusa a se envolver, mas dá um conselho ou pista importante aos PJs
3-5 pontos: ele decide ajudar o grupo usando de sua influência para conseguir informações e contatos aos PJs
> 6 pontos: os mesmos acima e ele envia dois arqueiros da guilda para ajuda-los

As possibilidades são infinitas e o sistema funciona muito bem. É uma forma interessante de julgar a interação dos personagens, estimula a criatividade deles e a interpretação, cria uma meta a ser atingida gerando suspense à medida que os pontos de tolerância vão se esvaindo e evita que os encontros se tornem apenas algumas jogadas de dados.

SUBSISTEMA 4: SHADOW


Esta é uma das mecânicas integradas ao sistema mais legais do TOR. Ela mede o grau de corrupção dos personagens, como aconteceu com Boromir na Sociedade do Anel, que sucumbiu ao desejo de usar o anel como arma e tentou tira-lo de Frodo.

A função da shadow é mais ou menos a mesma da sanidade em Call of Cthulhu. Aliás existem muitos sistemas que usam algum sistema de sanidade, como no Warhammer Fantasy 2a ediçao, nos jogos do Warhammer 40K e no Shadows of Esteren, e eu acho hoje uma mecânica indispensável para o drama em qualquer RPG.

Em TOR os PJs podem ganhar pontos de shadow de 4 formas: experimentando eventos estressantes como a morte de um companheiro, viajando através de áreas corrompidas, cometendo atos malignos como assassinato e traição ou carregando artefatos contaminados pela sombra. Quando os pontos de shadow igualam ou ultrapassam os pontos de hope o personagem é considerado miserável. Ele fica angustiado e se ele tirar um olho de Sauron do d12, ele sofre um surto de loucura. Na prática o jogador perde temporariamente o controle do seu personagem  e o mestre vai jogar com este PJ realizando atos dos quais o PJ vai se arrepender mais tarde. Além disso ele ganha 1 ponto de shadow permanente e ganha (ou avança) uma degeneração que é baseada no seu calling (o motivo pelo qual ele se tornou um aventureiro).

Todo calling tem 4 graus de degeneração, depois dos quais o jogador perde o PJ. Por exemplo se o calling de um personagem é slayer (ele decidiu se aventurar para conseguir uma vingança), sua shadow weakness é a curse of vengeance. Os 4 estágios são Spiteful (o PJ se torna rude contra todas as ofensas, reais e imaginárias), Brutal (o PJ reage com violência a qualquer provocação), Cruel (o PJ não se importa se suas ações causam sofrimento alheio e é desnecessáriamente selvagem com seus inimigos) e Murderous (o PJ considera o assassinato como perfeitamente natural para conseguir seus objetivos)

Estes estágios são cumulativos e irreversíveis. Como vc pode perceber eles causam um peso grande na carreira do PJ, mas também um um desafio interessante de interpretação além de uma fonte potencial de conflito dentro do grupo. O mestre pode explorar de diversas maneiras estas degenerações como por exemplo obrigando o jogador a rejogar o D12 e pegar o menor resultado ou piorar o efeito de uma falha quando a situação envolve a degeneração.

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