O Apanhador no Campo de Centeios


O Apanhador no Campo de Centeio

  • John Lennon chegava ao seu apartamento, na cidade de Nova Iorque, na noite de 8 de dezembro de 1980, quando é abordado por um jovem. John o reconhece, pois o mesmo já havia pedido para ele autografar uma cópia de um livro, naquele mesmo dia. Sem que Lennon entenda o porquê, Mark David Chapman saca um revólver calibre 38 e atira cinco vezes. Quatro dos disparos atingem o ex-beatle que vem a falecer instantes depois.

  • O então presidente norte-americano Ronald Reagan saía do Washington Hilton Hotel em Washington D.C., às 14h30min no dia 30 de março de 1981, quando John Hinckley Jr. sai do meio da multidão e atira seis vezes, baleando Reagan e mais três pessoas. Por sorte, apesar de ferido, o presidente sobrevive.

  • A jovem e promissora atriz norte-americana Rebecca Schaeffer atende a sua porta, em 18 de julho de 1989. Pela segunda vez naquele dia, Robert John Bardo vem até a sua casa. Dessa vez, para o espanto de Rebecca, ele saca de uma arma e lhe atira à queima-roupa. Ela morre 30 minutos depois.

Três crimes perpetrados por três pessoas diferentes, contra três alvos distintos. O que poderia haver em comum entre eles? A resposta pode parecer absurda, mas os três criminosos alegaram que agiram sobre o comando de um livro – O Apanhador no Campo de Centeio, de J. D. Salinger.

Escrito em 1945, The Catcher In The Rye foi lançado oficialmente no ano de 1951. À primeira vista, pode parecer uma narrativa simples e monótona sobre alguns dias na vida de Holden Caulfield, um jovem rebelde e insatisfeito, filho de uma família abastada nova-iorquina. Impregnado de angústia, confusão e rebelião contra o sistema, o livro viria a se tornar um manual de toda uma geração. Indispensável leitura para quem quer entender o contexto existencial da juventude americana do pós-guerra.
Apesar de praticamente não ter tido nenhum trabalho de publicidade, a obra alcançou e ainda alcança, decorridas sete décadas, números incríveis: mais de 65 milhões de cópias vendidas -250 mil todo ano, só nos Estados Unidos.
Outra coisa que chama a atenção foi a preocupação de Salinger em desvincular o livro da sua pessoa. Na primeira edição estadunidense, ele pediu para o seu editor não lhe enviar nenhuma crítica escrita sobre o livro. Dizia não querer acreditar sobre o que leria a seu respeito. Proibiu também qualquer trabalho publicitário em cima do mesmo. Sua paranoia chegou ao ponto de achar que a sua foto na contracapa estava muito em destaque, pedindo para substituí-la por outra mais discreta. A capa, rica em mensagens subliminares e duplos sentidos, como alegam os especialistas, mostra um enigmático desenho de um cavalo em um carrossel, publicado na edição original, própria escolha do autor. Apesar de tantas agitações, o sucesso foi estrondoso. Tanto que permitiu a Salinger se tornar um milionário totalmente recluso e eremita, não se deixando fotografar e nem entrevistar. Morreu isolado em sua propriedade, em 2010, aos 91 anos.
J. D. Salinger
O que levaria um escritor que produziu pouco, autor do livro mais impactante da literatura americana no século XX, fugir do seu sucesso desta forma? Algo estranho aconteceu com Salinger, pois depois da fama, passou a escrever somente para ele.
Foram encontrados quinze romances escritos e nunca publicados, que ele escondeu do mundo, em sua casa. Especialistas acusam o livro de servir de incentivo para pessoas desequilibradas praticarem atos violentos. Seria uma espécie de gatilho para assassinatos. Lee Harvey Oswald, o suposto assassino do presidente John F. Kennedy, também teria decidido agir depois de ler o romance de Salinger. Cito apenas quatro casos famosos para demonstrar a lenda em torno do livro, mas assim como em “O Sofrimento de Jovem Werther”, de Johann Wolfgang Von Goethe, o número de vítimas pode ser incalculável.
Fonte: Mistérios do Mundo

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