Lovecraft Country: Visita à Innsmouth

Para terminar esta seqüência de posts sobre a cidade de Innsmouth, vejam este post do mundo tentacular, mas recomendo fortemente que leiam o conto "A Sombra sobre Innsmouth / Shadow Over Innsmouth" e vejam o filme "Dagon":


O que um visitante encontraria nas ruas de Innsmouth pouco antes da cidade ser invadida pelos soldados que conduziram o Assalto da cidade? Bem, esse é um pequeno guia visual de alguns dos pontos mais interessantes de Innsmouth com comentários extraídos de diários de visitantes que estiveram na cidade pouco antes de sua queda.


Um único ônibus diário fazia o percurso Arkham - Innsmouth. Era um veículo sujo de lama e em estado decrépito, sem o mínimo conforto. Um transporte antiquado rangendo sem parar pelas tortosas estradas de terra que tangenciam oManuxet.

Apenas eu outros três passageiros embarcamos em Arkham. Os outros sentaram no fundo e permaneceram a viagem inteira em silêncio. Eram indivíduos taciturnos, vestindo pesados sobretudos e de aparência bizarra. Quando me aproximei para fazer algumas perguntas se encolheram nos bancos me ignorando. Preferi eu mesmo ficar em silêncio.


O único hotel de Innsmouth, o Gilman Board House não era um estabelecimento muito confiável. Embora estivesse sempre vazio, o dono preferia não ceder as chaves dos quartos a qualquer um. Havia algo sinistro por trás dessas janelas cujo vidro embaçado pela maresia tornava-o indevassável. Quando bati na porta, o dono do estabelecimento, um senhor encarquilhado, calvo e de olhos baços me observou de cima a baixo pela pequena fresta da porta. E depois de me estudar cuidadosamente, mandou que eu voltasse mais tarde.

Na ocasião, uma tabeleta na porta avisava: "Não há vagas"


Sem dúvida, o mais estranho prédio em Innsmouth se encontra no centro da cidade em New Church Green.

"O edifício já fora pintado de branco, mas agora estava cinzento e descascado, e a placa preta e dourada no frontão estava tão gasta, que com dificuldade consegui ler as palavras "Ordem Esotérica de Dagon" Era esta então a casa maçonica agora entregue a um culto infame. Era sem dúvida uma coisa aviltante, quase pagã, importada do Oriente um século antes, numa época em que a pesca de Innsmouth parecia ter se esgotado."


A decadência era pior no cais. O lugar tinha um odor intolerável de peixe, maresia e algas. Os poucos armazéns eram testemunhas de uma época em que o porto fervia com movimento e vivia apinhado de embarcações vindas de terras distantes com porões lotados de exóticas mercadorias.

Agora eles apodreciam, abandonados ao sabor do sol e do vento. Alguns estavam tão deteriorados que pareciam prestes a cair, como se a pintura fosse tudo o que evitava que desmoronassem a qualquer momento. Senti um frio na espinha ao imaginar olhos furtivos observando do alto dos sótãos escuros.


Em Washington Square havia quatro ou cinco mansões em excelente estado de conservação e com jardins bem cuidados que destoavam criticamente do restante da cidade. O mais suntuoso palacete - com uma varanda que dava para arua Lafayete, eu vim a saber pertencia a notória Família Marsh. O patriarca Obed Marsh, dono da refinaria e de muitos negócios locais havia construído a casa em meados do século passado.


Algumas propriedades estavam claramente abandonadas como evidenciavam os jardins em estado deplorável, onde as ervas daninhas dominavam e tábuas pregadas nas portas e janelas. Mas logo ao lado destas, outras casas possuíam luz elétrica e movimento. Haviam habitantes naquelas mansões de aparência antiga e arquitetura colonial.


Em Lafayete Street me deparei com várias casas em bom estado de conservação. Ao dobrar a esquina algumas crianças que estavam na rua brincando, dispararam rapidamente para dentro de uma das casas batendo a porta. Me aproximei e bati ao alpendre em busca de informações, mas ninguém respondeu, embora eu tenha sido insistente. Quando me preparava para bater novamente alguém respondeu com uma voz gutural e pesarosa: "Vá embora, não há nada para você aqui!"


Segui para fora do porto através de ruas sem pavimentação e escuras. As casas em sua maioria eram obras de alvernaria erguidas com velhos tijolos avermelhados, janelas fechadas e vidros quebrados. Apesar de estar frio, não vi nenhuma fumaça nas grandes chaminés de tijolo, como se os ocupantes estivessem alheios ao básico conforto proporcionado por uma lareira crepitando.


O pier tinha uma aparência ainda mais abandonada com madeira apodrecida rangendo sob meus pés. Ao longe vi algumas poucas embarcações de pesca atracadas, todas carecendo desesperadamente de pintura e reparos. Eram barcos antiquados com emaranhados de redes de pesca repousando na balaustrada.

A água estava calma, lembrando mais um lago do que um ancoradouro marítimo. De repente, ouvi o som de água respingando e percebi círculos concêntricos se formando na superfície. Como se um grande peixe tivesse saltado para fora d'água. Assustado resolvi me afastar, tive a sensação de que não era seguro permanecer ali.

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