A Evolução dos RPGs - parte 3: D&D



Em 1974 Dave Arneson usando regras adaptadas de um jogo de guerra de Gary Gigax, o Chainmail, cria o 1º RPG do mundo, Dungeons & Dragons. A GenCon já acontecia nesta época no porão da casa de Dave na cidade de Geneva com 12 amigos. Desde 1974 o hobby cresceu, muitos sistemas foram criados, a GenCon é um evento gigantesco reunindo 40 mil pessoas todo dia. Muito da história do RPG está ligada à história do D&D.

Gary funda a TSR para comercializar o D&D em box (a caixa branca). Em 1978 ele revisa as regras criando o AD&D. O RPG crescia a recrutava uma legião de fãs assim como também criava polêmica.
Logo seria lançado o Call of Cthulhu RPG que se mantém forte e publicado em muitas línguas até hoje passando por 6 edições. Em 1989 Gary revisa novamente o sistema criando a 2a edição do AD&D para unificar o material de muitos suplementos, o que agradou alguns e desagradou outros jogadores.

Na década de 90 a TSR passaria por problemas financeiros que quase a levariam à falência, quando a Wizards of the Coast detentora do Magic the Gathering compra a TSR em 1996 e lança a 3a edição do D&D em 2000. A edição vende muito bem e são lançados inúmeros suplementos. Em 2003 a Wizards lança outra versão, a 3.5 com pequenas correções e em 2008 a famigerada 4a edição. Nesta época Gary já não estava mais na companhia, apesar de publicar RPG até perto da sua morte em 2008.


Ao longo das diferentes edições o jogo praticamente não tinha mais nada a ver com o jogo original criado por Dave e Gary.  A gigante Hasbro que tinha adquirido a Wizards já em 1999, expressa o desejo de transformar o D&D em um negócio de 100 milhões de dólares e com esta pressão e a intenção de criar a nova edição voltada para recuperar o público perdido pelos MMOs videogames, a 4a edição desagrada os fãs e vende muito mal. O D&D encolhe enquanto perde jogadores para outros sistemas, para os videogames e também sofre com a pirataria de livros em PDF.

Muitos autores como o famoso R. A. Salvatore, criador de um dos personagens mais famosos do D&D, o elfo negro drizzt, também expressaram seu desagrado com a nova edição. Existe uma opinião geral de que o D&D se concentrou demais na estratégia e balanceamento das classes, se tornando menos RPG e mais jogo tático. A mudanças falharam em arrebanhar novos jogadores e desagradaram jogadores veteranos que migraram para o videogame, para outros sistemas e para o tabuleiro e cardgames. Além disso a nova versão tira o poder do mestre tornando-o um mero juiz das regras, mas que não pode contradizer os jogadores, punindo os jogadores com mais imaginação.

O fato é que nunca na história do RPG tantos jogadores estão jogando outros sistemas além do D&D. O próprio fenômeno dos retroclones é um sintoma disto. Mesmo jogadores que querem jogar D&D estão optando por edições antigas. Existem rumores de que  próprio Pathfinder (uma versão 3.75 da Paizo) venda mais que o D&D atualmente.

O que podemos esperar do futuro? Tudo parece muito incerto. Eu acho difícil o D&D recuperar o número de jogadores que teve no auge do 3.X. Os jogadores se tornaram exigentes, conheceram outros sistemas e estão felizes com eles. Além disso para uma empresa pequena vender 10.000 livros é um grande sucesso, mas para a Hasbro vender este mesmo número é um grande fracasso. Uma nova edição de  D&D já começa com metas gigantescas. O RPG como um todo hoje enfrenta ainda a concorrência com os videogames, boardgames, miniatures, cards, pirataria em PDF, etc e os novos jogadores mostram uma tendência de não quererem ler um livro para poder jogar, muito menos gastar dinheiro comprando um.

Baseado no artigo da Escapist

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