A Evolução dos RPGs - parte 1


Os primeiros livros de RPG eram bem simples em termos editoriais. Branco e pretos, com ilustrações feitas a mão, capa mole grampeada no livro, mas não apenas isso. Os sistemas era mais simples também  na quantidade de opções disponíveis aos jogadores, nos sistemas de dados usados, na quantidade de suplementos.

Com o tempo novos jogos foram surgindo, suplementos e a coisa toda foi tomando um novo rumo. As tecnologias de impressão melhoraram, a industria foi crescendo e os livros foram ficando mais bonitos, volumosos, com muitos suplementos, as vezes de forma exagerada e puramente comercial.

Quando eu conheci o RPG em 1989, pouca gente conhecia isso no Brasil. Um amigo chegou dos EUA com um manual do D&D xerocado, com meia dúzia de criaturas apenas. Todo mundo adorou e queria mais, mas no Brasil era muito difícil de encontrar e importar então era impossível. Como não existia internet nem um PDF básico você conseguia. Nem dados especiais haviam para comprar.

Essa geração de jogadores foi chamada de geração xerox, devido a grande quantidade de livros xerocados que circulavam nos grupos. Na década de 90 a coisa começou a mudar. A Grow trouxe o D&D em uma caixa básica com dados, miniaturas de plástico e papel, livro e fichário. Logo depois a Ediouro traduziu o Shadowrun 2a edição inclusive com os suplementos Metagen, Catalogo do Samurai urbano e Contatos. A Abril também traduziu o AD&D trazendo os livros básicos, alguns suplementos fantásticos como o Forgoten Realms, o Undermountain, o Karameikos, uma revista especializada, o card game Spellfire, baseado no D&D, todos vendidos em bancas de revistas! O GURPS já estava no mercado, o Magic the Gathering (também um CCG) estava chegando.... estávamos no paraíso!


No final da década de 90 a coisa deu uma esfriada. O RPG não deu o resultado que as grandes editoras esperavam e os títulos foram desaparecendo, alguns deles se concentrando nas mãos da DEVIR que comercializava o GURPs, Vampiro a Máscara e os outros títulos do Storyteller e seus suplementos, além do Magic e alguns livros importados.

No fim de 1999 chegou o D&D 3a edição sendo traduzido pela DEVIR posteriormente. Eu considero o D&D 3a edição como um marco pela qualidade dos livros. Depois dele os livros ficaram cada vez mais bonitos. É só comparar as edições do L5R, por exemplo. Além disso, como eu já escrevi aqui no blog, o D&D 3a edição inaugurou de vez a new school.

Depois do surgimento do D20 o RPG explodiu no mundo em pequenas editoras que foram crescendo com eles. Hoje nós temos uma quantidade enorme de lançamentos a cada ano. A venda de livros em PDF também cresceu. Outro fenômeno foi o surgimento da industria indie, trazendo títulos que não teriam chance comercialmente de outra forma. Hoje no Brasil esta industria é muito forte, acho que até mais que a grande industria se você comparar a quantidade de lançamentos.

A retropunk por exemplo está fazendo um excelente trabalho, assim como a redbox, ao passo que as grandes editoras andam a passos de tartaruga. O mesmo acontece com a industria de tabuleiro. Enquanto as grandes como a Grow e a Estrela estão engatinhando com os tabuleiros modernos e ainda insistindo em 10 versões diferentes do banco imobiliário, outras empresas estão se especializando em tabuleiros modernos e mais adultos, como a Ceilikan e a Galápagos. Para sermos justos temos que mencionar que a Grow trouxe o Catan e o Carcassonne.

Hoje o panorama é muito bom para nosso hobbie. Os grandes títulos estão muito fortes (com excessão do D&D que perdeu jogadores, mas ainda assim é muito forte), os títulos novos e pequenos, graças a internet, venda em PDF e financiamento coletivo, podem alcançar os quatro cantos do planeta. Além disso você pode pedir livros de qualquer país que em semanas estarão em sua casa.

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